Testes: Da onde raios surgiu isso?

Testes ou exames psicológicos são ferramentas da Avaliação Psicológica e, para alguns psicólogos, trata-se de uma realidade totalmente nova  e inabitável.

Isto se dá por vários motivos, desde a falta de interesse e verba (pois, adquirir alguns testes é caro) por parte das universidades, como também por seu caráter historicamente novo. O primeiro texto da Comissão de Normas para Procedimentos em Avaliação Psicológica realizada pelo CRP com o objetivo de normatizar o uso de destes, por exemplo, foi criado em 1996.

20 anos atrás! Esse texto é um adolescente.


Só que os testes são uma das poucas ferramentas inteiramente exclusivas de uso dos psicólogos e, por isso, temos que valorizá-la. Na verdade, a Avaliação Psicológica, o processo como um todo, é uma atividade psicológica, mas, as outras ferramentas, de forma indireta, podem ser usadas por outros profissionais.

Afinal, não existe uma maneira de proibir uma observação ou a realização de uma entrevista, por exemplo. Mas, para fazer uso dos testes, o processo é diferente. Desde a aquisição de conhecimento sobre seu funcionamento e aplicação, até a compra e utilização,  tudo é feito com muito rigor, para que ninguém que não seja profissional da psicologia tenha acesso.

Mas vamos começar do começo.

De onde raios surgiram os testes?


Conheça Galton. O cara da foto acima.

Ao que se tem conhecimento, os testes psicológicos tiveram seu início em meados de 1869 até 1935 com Francis Galton. Ele estudava várias coisas e, dentre elas, os fundamentos teóricos e práticos da Psicometria.

Psicometria? Hã? É de comer ou passar no cabelo?

Psicometria é a união de técnicas para quantificação dos fenômenos psicológicos. Ou seja, é a transformação dos fenômenos psicológicos em números palpáveis e passíveis de medição.

E dizem as más línguas que Psicologia não é ciência.

Em torno de 1935 houve a fundação da Sociedade Psicométrica e sua revista Psycometria, na qual houve um refinamento dos testes que estavam sendo elaborados e suas tecnologias. Foi quando o filósofo alemão Christian Wolff iniciou um projeto para a transformação dos fenômenos psíquicos em matemática.

No meio deste desenvolvimento – entre fenômenos psíquicos, matemática e estudos – surgiu a contribuição importantíssima da Psicofísica.

Calma, não saiam correndo!

Foi o auxilio desta área de estudo que permitiu construir medidas precisas entre diferentes estímulos e sua intensidade.  E que, futuramente mostrou-se essencial na construção dos testes de personalidade.

A Psicometria e a Psicofísica foram as duas áreas que alavancaram os estudos para construção dos testes e constituem a base para o que temos hoje.

Com isso, no final do século XIX e início deste (sim, é bem recente) surgiu o movimento que teve grande força: Psicometria e medidas sensório-motoras. Mas, foi em meados de 1905 que Binet e Simon criaram a primeira escala de inteligência com o intuito de investigar as possíveis causas do fracasso escolar.

A educação já era uma área de interesse naquela época! Isto é, os testes de inteligência e sua escala foram o pontapé inicial para a construção dos testes que temos hoje. Depois vieram os testes de interesse e de aptidão para talento musical.

Os últimos testes construídos foram os de personalidade. Isto porque, os testes de personalidade possuem um caráter individual que torna mais difícil sua mensuração e sua consequente construção.

Curiosidade:

  • O teste Rorschach foi construído na década de 20,
  • O Teste de Apercepção Temática (TAT) na década de 30 e,
  • O Szondi na década de 40.

Resumindo: testes são modos de medição para um determinado comportamento e tem como objetivo mensurar as diferentes reações de um mesmo indivíduo sobre circunstâncias diferentes.

Isto significa que não é magia, é ciência!

Tipos de Testes


Atualmente os testes são divididos em Psicométricos e Projetivos

Os Psicométricos são baseados em fatores quantitativos e por isso tem como resultado algum número, medida, traço ou tipologia. Já os Projetivos não são uma resposta certa ou um número, o resultado é individual e diz respeito ao funcionamento psíquico do examinando.

Precisamos ter muita calma nesta hora, isto porque, este é um conceito que foi adotado por grande parte dos autores, mas não todos. Logo, não se assuste caso leia algo diferente, afinal, como eu disse esta é uma área nova e ainda em construção.

Esta matematização dos processos psíquicos que hoje chamamos de testes é uma prova que a Psicologia é “palpável” e passível de comprovações.

E, é por isso que os testes são usados em todas as áreas da Psicologia. É uma ferramenta de comprovação de uma hipótese, levantamento de novas informações e, inclusive, segurança para nós profissionais.

Vamos testar!


Se você se empolgou e quer usar os testes, calma!

Antes de mais nada, você deve ser submetido à aplicação testes com os quais quiser trabalhar. Até para que você tenha um melhor entendimento da ferramenta.

Agora sim, pode correr e procurar ser submetido aos testes nos quais possui interesse, com um objetivo, é claro. E, depois de estudá-lo e analisá-lo: usá-lo!

Autor Tássia Garcia

Tássia Garcia

@tassiagarcia

Eu sou Tássia Garcia, psicóloga por formação e empreendedora por vocação. Aprendi estudando, errando e praticando que ser Psicóloga é muito mais que eu aprendi na graduação. Atualmente utilizo meus conhecimentos em avaliação psicológica, inovação profissional e a experiência como coach e consultora para auxiliar outros profissionais a se posicionarem no mercado, construir estratégias de marketing e terem maior reconhecimento.

Oops... Faça login para continuar lendo



Interações
Comentários 0 0