Genograma - um excelente instrumento para terapia de casal

Genograma é uma representação gráfica, um mapa da família, através do uso de símbolos próprios. Ele é um instrumento para engajar o casal a destravar o sistema, rever dificuldades familiares, verificar a composic?a?o familiar, clarificar os padro?es relacionais familiares e identificar a fami?lia extensa.

Os genetogramas são retratos gráficos da história e do padrão familiar, mostrando a estrutura básica, a demografia, o funcionamento e os relacionamentos da família.” (Carter e McGoldrick, 1995, p. 144)

Além de mostrar graficamente qual é a estrutura familiar, o genograma também permite pesquisar padrões de relacionamento e avaliar quais os vínculos do casal com os membros da família. Eles indicam como o casal está conectado a sua família de origem e qual o seu papel na mesma. Além de mostrar, caso a pessoa tenha casamentos anteriores, quais podem interferir na relação do casal.

Veja um exemplo de genograma (Carter e McGoldrick, 1995):


Eu costumo fazer o genograma com até 2 gerações acima e 2 gerações abaixo do casal em terapia. Então, inicio a sua construção na geração do “paciente identificado” (ou seja, o casal que está em terapia). Para baixo, tem a geração dos seus filhos e netos, caso o casal possua. E, para cima, tem a geração dos seus pais e dos seus avós.

A construção é feita em sessão, pelo terapeuta e pelo casal e costuma levar algumas sessões até a sua conclusão.

Para isso, você vai precisar de um pilot e uma cartolina ou papel pardo. Gosto de fazer algo grande, para que as pessoas possam olhar com mais clareza, por isso dou preferencia a cartolina do que a papel A4. Eu inicio a construção do instrumento focando primeiramente na sua estrutura, ou seja, em montar o gráfico, utilizando os símbolos específicos.

Após a sua construção, foco nas relações, nas histórias e nos padrões.

Para isso, algumas perguntas são importantes, como:

  • Nome das pessoas
  • Idade e sexo
  • Quem já é falecido, qual a causa e a data (pelo menos o ano) da morte
  • Qual a naturalidade das pessoas
  • Se são casados, separados, recasados… e quais as datas do casamento/separação
  • Se possuem filhos e quais as idades e sexo
  • Se houve algum aborto
  • Religião
  • Educação
  • Profissão e desemprego
  • Problemas com a lei
  • Abuso físico ou sexual
  • Uso de drogas / fumo / bebida
  • Obesidade / transtornos alimentares
  • Transtornos mentais / doenças físicas
  • Data em que os membros da família deixaram a casa

Enquanto o casal vai respondendo as perguntas, juntos, vamos construindo o genograma no papel.

Esses são os principais símbolos dos genogramas (Carter e McGoldrick, 1995):


Muitas vezes achamos lacunas na história de vida das pessoas. Informações que eles não sabem ou que são segredos de família. Nesse caso, é importante que a pessoa busque descobrir essas informações e preencher essa lacuna, se for possível.

Muitas vezes, eles acabam descobrindo informações importantes sobre a sua história ou sobre a história da sua família.

Utilizando o Genograma na terapia


Após essa parte inicial, iniciamos a busca pelos tipos de relacionamento: relacionamento muito estreito, distante, com conflitos, com rompimento etc entre os membros da família.

Assim, costumo perguntar se aquela pessoa possui alguma desavença, se tem algum relacionamento muito intenso (positivo ou negativo), com que parte da família se relaciona melhor e qual é mais afastado, com quem se identifica mais etc. Coloco esses símbolos no gráfico e circulo as pessoas que moram na mesma casa que o “paciente identificado” (ou seja, que o casal em terapia).

Depois do genograma pronto, costumo perguntar para o casal como foi para eles o processo de confecção do mesmo, quais as dificuldades, se eles se deram conta de alguma coisa e facilidades que tiveram. Peço também para que apresente a sua história familiar através do instrumento, associando com o seu relacionamento atual.

Apesar de um pouco demorado, esse processo é riquíssimo e traz bastante material para trabalho na terapia.

Muitas vezes o marido/esposa acaba descobrindo histórias da vida do outro que ainda não sabia e isso gera mais intimidade entre o casal.

Além disso, o genograma pode trazer informações importantes como padrões familiares de relacionamento e dificuldades atuais do casal, "por exemplo, se os os filhos casam tarde ou jamais deixam o lar, isso pode relacionar-se à dificuldade de diferenciarem-se da família.” (Carter e McGoldrick, 1995, p. 148).

É uma oportunidade para o casal tomar consciência de diversas questões e talvez, até mesmo, achar algumas respostas para algumas de suas questões.

Para treino, sugiro que, antes de montar o genograma do casal, você faça o seu próprio.

Autor Renata Azevedo

Renata Azevedo

@renataazevedo

Renata de Azevedo é psicóloga, especialista em Terapia de Família e Casal, pela UFRJ. Possui formação em Análise Transacional e é coautora do livro “A Arte da Guerra”, da ed. SerMais. Acredita no amor e nos relacionamentos duradouros, saudáveis e felizes. Ama ajudar as pessoas a melhorarem os seus relacionamentos. Antigamente, detestava falar em público, mas hoje é uma das coisas que mais gosta de fazer.

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