Convite para um Novo Ano! Dicas práticas da Biodinâmica na sua vida

A proposta deste artigo é questionar as tradicionais promessas de ano novo, focadas muitas vezes em exigências externas e convidar para fazer uma troca por um contato mais verdadeiro consigo e com suas necessidades reais, suas prioridades. Além de trazer dicas práticas para aplicar os conceitos da Biodinâmica na própria vida.

E lá vai ele, o ano. Já o avisto dando adeus. Vejo vindo outro, todo cheio de mistérios. Ainda não consigo enxergá-lo em suas formas e cores.

Mesmo sabendo do grande apelo comercial que temos nessa época do ano, é incontestável que acabamos nos contagiando com essa energia toda de fechar ciclos e abrir outros.

Algumas coisas realmente se encerram junto com o ano, enquanto outras infinitas possibilidades parecem se abrir no novo ano que vem chegando. Um momento em que nos vemos fazendo o fechamento de alguns trabalhos corporativos, ajudando pacientes a avaliarem a sua jornada do ano, momento de olhar para trás e também de entrar em contato com muitos desejos, sonhos, expectativas.

Tudo muito bonito. Porém, nesse mesmo pacote vem as cobranças. Talvez em tamanho e quantidade maior que todo o restante. E nós, assim como nossos pacientes e clientes, também recebemos esse “pacote completo” nessa época do ano.

Esse texto de hoje é focado nos profissionais psi.

Em mim, em você, em nós que trabalhamos para ajudar o nosso paciente, o nosso cliente, a levar uma vida mais plena, mais satisfeita, a desenvolver todo o seu potencial, a desenvolver seu núcleo saudável, a entrar em contato com a sua essência, a viver de acordo com a sua verdade, a superar seus medos, a atingir seus objetivos.

Enfim, para nós que precisamos estar vivendo aquilo que nos faz sentido, nós que precisamos descobrir como é ser verdadeiro, como é encontrar esse caminho dentro de nós e na nossa vida. Para a partir dessa descoberta oferecer um trabalho

Uma chamada para que o psicólogo possa se olhar de verdade


Sempre ouvi falar na Biodinâmica que o psicoterapeuta consegue levar o paciente até onde ele conseguiu ir, porque senão ele trava. Ele trava nos seus próprios enroscos existenciais, nas suas próprias defesas, nos próprios embaraços da sua história. Então, quanto mais ele tiver consciente da sua história, da sua verdade e conseguir caminhar, se superar, mais ele vai conseguir abrir caminhos e auxiliar o paciente a ir adiante na própria vida.

Também aprendemos na Biodinâmica – é um exercício bem prático que usamos quando vamos trabalhar com a massagem no paciente – que, ao mesmo tempo em que cuidamos do bem estar do paciente, em que vamos ajudá-lo com a aquela técnica na busca da sua autorregulação, nós temos que estar em pleno contato com o nosso bem estar. Sim, é algo bem prático mesmo: buscar uma posição física confortável para realizar uma massagem no paciente.

O foco ali é o paciente, mas para realmente estarmos disponíveis para ele, precisamos buscar uma postura de cuidado conosco, terapeutas.

É preciso se cuidar para cuidar do outro. Não adianta ficar lá todo tenso, todo arcado, ficar com uma baita dor nas costas, depois ficar com uma raiva danada, enfim, não adianta se negligenciar, se prejudicar em benefício do outro. Isso é ilusório.

Para que você faça isso dando o seu melhor por ele, conseguindo estar plenamente em contato com as necessidades dele, é essencial estar bem e não preso no contato com a própria dor, com a tensão que está se formando ali ou ansioso para terminar a massagem. O que será que vai chegar da sua intenção, do seu olhar, da sua presença pro paciente e para aquele processo que está em desenvolvimento?

Dessa mesma forma, quando chegamos nesse período do ano, também precisamos estar em contato com a nossa verdade, em meio a tudo que somos expostos externamente.

É uma época muito simbólica de virada, de transformação, onde grandes expectativas crescem. Muitas delas, expectativas ilusórias, expectativas fantasiosas, expectativas infantis, de transformações mágicas mirabolantes, onde o personagem fica sentado no seu lugar, vendo tudo ao seu redor se transformar. Isso é conto de fadas, isso é um passe de mágica, isso só com varinha de condão.

Então, a chamada aqui é para que o psicólogo possa se olhar de verdade - primeiramente para as necessidades internas dele e, só então, para as exigências externas, e possa descobrir como fazer esse diálogo entre ambas. E, a partir daí, gerar um comprometimento consigo mesmo e com aquilo que ele precisa para essa nova etapa. É um convite para fazer uma avaliação sincera de tudo aquilo que foi e de tudo que quer realmente que seja.

Somos nosso instrumento de trabalho


Somos craques em auxiliar pessoas, equipes, empresas a fazerem isso. Mas será que fazemos conosco com o mesmo primor?

A grande verdade é que apesar de conhecermos os “processos” de funcionamento da psique, do comportamento humano, nós também temos nossos processos inconscientes, nossas defesas como todo mundo tem, nossos medos - que nos preparam respostas racionais e automáticas que nos “ajudam” a desviar da verdade que está lá dentro.

E só com a ajuda de outro profissional psi, que vai trazer as ferramentas necessárias, a presença e o contato que conseguimos nos envolver em um processo de psicoterapia ou mesmo de coaching.  Afinal, para nós da Biodinâmica, o processo, a transformação acontece no vínculo terapêutico, nesse vínculo que pode nos trazer a segurança para que a gente possa descobrir mais de nós mesmos e arriscar na mudança, na transformação.

Porém, nós podemos sim aproveitar para nossa vida um pouco daquilo que sabemos, conhecemos e levamos para o nosso pacientes - em forma de exercício de autopercepção e autoconhecimento no nosso cotidiano. Por que não?

E tantas vezes, nós que somos tão cuidadosos com aqueles que procuram nossos serviços, nos vemos tão corridos e distantes de nós. Caímos na armadilha das expectativas alheias e nos esquecemos de nos olhar lá mais fundo. Corremos sim o grande risco de entrar na imagem e nos perder da essência.

Nos esquecemos de nos olhar como seres humanos de verdade, com expectativas e necessidades reais, só nossas, únicas que precisam ser reconhecidas. Então, esse é o convite.

Já que somos nosso instrumento de trabalho, acredito que a nossa primeiro tarefa como psicólogos seja cuidar de nós mesmos.

Vamos lá?

Uma vivência para você


Convido você, colega psi, a se experimentar numa vivência, simples e profunda, que pode nos contar coisas muito interessantes sobre você e te ajudar a fazer a sua perspectiva real desse momento da sua vida.

Leia primeiro a proposta e depois feche os olhos e se entregue a ela.

Encontre um lugar reservado para deitar e desligue o celular, ou abaixe o volume e reserve alguns minutos para estar na companhia mais especial do mundo: você.

Nesse primeiro momento, deite de barriga para cima num lugar que te dê apoio, como um tapete no chão ou um colchão mais duro. O convite é para uma limpeza física e emocional. Você vai fechar os olhos e usar o ar que entra pela sua inspiração, pelas narinas, como elemento purificador. E o CO2 que sai na sua expiração, pela boca, vai trazer para fora tudo que for lixo que estiver dentro de você. Estou falando de preocupações, problemas, dores, tensões, pensamentos e sentimentos que te fazem mal, incomodam.

E, para isso, você vai imaginar uma cor para o ar que vai entrar no seu corpo e vai preenchê-lo, vai ocupar seu espaço, dar vida ao corpo e expulsar o que não serve mais. É um exercício de imaginação ativa, em que trabalhamos com nossa intenção. E, além do efeito de limpeza, este ar trará a você o que precisar e que você vai perceber durante o seu exercício, em contato com você - se é energizar, acalmar, ou outra coisa.

Imagine, então, a cor do ar que vai fazer a limpeza no seu corpo. Veja e sinta ele entrando pelas narinas e ir passando por cada parte e expandindo dentro de você, ocupando todo o espaço interno.  E a cada parte que o ar for entrando (inspiração), ele vai expulsando o ar velho que estava aí dentro (expiração). Experimente ir soltando o peso do corpo no chão ou colchão a cada saída do ar velho – perceba o corpo ficando mais leve. Primeiro leia e depois faça devagar, no seu ritmo, entrando em contato com cada parte do seu corpo.

Comece sentindo o ar novo, da cor que você desejar, entrando pelo nariz e vai imaginando ele se expandir pelo rosto – bochechas, olhos (limpando da poluição visual que temos que passar todos os dias), cabeça (expulsando os pensamentos que te atrapalham), ouvidos (quanta coisa que você ouve e que te faz mal!), boca (limpando tudo aquilo que fica aí sem poder sair, nem engolir e vai apodrecendo).

Depois ele vai descendo preenchendo a garganta (que às vezes fica meio fechada), o pescoço (duro de tanta tralha que carrega), as costas (aí então, tem que limpar todos os pesos que foi assumindo, para poder aliviá-la), peito (cheio de dores, mágoas, ressentimento), braços que tanto fazem, as mãos que buscam o que precisa, a barriga que tem que digerir tudo que deixa entrar – trabalho pesado.

O quadril e pelve que tantas vezes são encolhidos, as coxas que dão firmeza, joelhos que se dobram e flexibilizam nas necessidades, panturrilhas e pés que te sustentam, aguentam e não reclamam. Inspire e sinta todo seu corpo preenchido dessa energia renovadora. Por fim, solte o último resquício de ar velho que ainda esteja aí dentro e sinta seu corpo todo relaxado no chão. Respire normalmente.

Perceba como se sente, perceba um contato maior com seu corpo, com sua respiração.  Mexa-se, faça os movimentos que der vontade e encontre uma posição bem confortável para continuarmos.

Viagem para o lugar dos seus sonhos


Ainda nesse contato, feche os olhos que você vai embarcar agora em uma viagem. É sério. Aproveita.

É a viagem para o lugar dos seus sonhos. Ela vai acontecer agora.  Você vai viajar para o lugar que você gostaria de estar agora, nesse instante. Calma que eu vou te dar as regras para você “comprar” sua passagem:

A viagem deve ser para um local em que você queira estar agora.

Você pode ir sozinho, mas se quiser levar alguém também pode. Só não se sinta obrigado a levar ninguém. Essa viagem é sua e será do jeitinho que VOCÊ quiser. É para agradar a você e ninguém mais.

Você pode escolher um lugar que você conhece e quer ir de novo ou algum em que irá pela primeira vez. Você pode também criar o seu próprio lugar – com tudo que você deseja.

A viagem é SUA e você é que manda nela.

Você irá com uma mochila vazia nas costas.

Vamos lá?

Com a mochila nas costas, você sai pela porta de onde você está. Você vai se ver num caminho, chegando em um portal. Esse portal é a entrada para o seu lugar dos sonhos. Agora você está passando o portal e olha ao seu redor.

Onde você está? Que lugar é esse? Como é o seu lugar dos sonhos desse momento? É ao ar livre ou é fechado? É cidade, praia, campo, montanha?

Olhe bem e veja todos os detalhes. O que tem aí?

Lembre-se que é o seu lugar e pode ter tudo que você quiser.

Que formas tem nesse local? Que cores?

Começa a caminhar um pouco nesse lugar e vai entrando em contato com ele.

Que som tem aí no seu lugar dos sonhos? O que você ouve? E cheiro, tem cheiro? Cheiro de quê? E sabor? Tem algo pra comer ou beber ai? O que?

Veja se tem coisas que você queira tocar, pegar. Que texturas tem. Continua andando e reconhecendo o local. Vai olhando com olhar curioso e vendo tudo que tem nele.

Agora veja, tem mais alguém aí com você?

E você, está como aí? Olhe pra você e veja suas roupas, sua expressão.

Você tem um tempo para aproveitar esse lugar. Veja o que te dá vontade de fazer por aí. Pode ficar tranquilo, que na hora de ir embora eu te chamo.

Que sensação esse lugar te traz?

Ei, psiu, é hora de ir. Vai se preparando para retornar. Pegue a mochila que você levou vazia, abra e escolha algumas coisas bem especiais desse lugar para trazer com você. Depois de ir se despedindo, olhe para tudo mais uma vez e grave bem em você.

Vai saindo do lugar e vai passar pelo mesmo portal que você entrou. Continua caminhando e volta ao local do início.

Abra os olhos.

Olá.

Saindo da ditadura das listas infinitas


Vamos falar agora do que essas experiências tem a ver com o final de um ciclo e o início de outro? Com um novo ano? Com as suas cobranças referentes a 2016 e suas expectativas referentes a 2017?

A proposta aqui é sair da ditadura das listas infinitas para o próximo ano, onde esquecemos que somos humanos e não super-heróis e que o dia continuará tendo apenas 24 horas.

É jogar fora o chicote que nos acompanha quando olhamos para o ano que passou e nos torturamos enxergando muito mais as “faltas”, aquilo que achamos que teríamos que ter feito do que as inúmeras ações e progressos que tivemos. Diminuímos as conquistas reais em nome de exigências, muitas vezes, irreais.

Esses exercícios propostos aqui são de imaginação ativa, uma técnica que não é exatamente da Biodinâmica, mas a Biodinâmica utiliza, pois não tem problema nenhum em aproveitar ferramentas que combinem com sua proposta e venham agregar ao trabalho.

Perceba que o trabalho corporal ocorreu no início, quando foi trabalhado um aprofundamento da respiração e um relaxamento das tensões - partindo do princípio da Psicologia Biodinâmica de que nossas experiências são armazenadas em nosso corpo e que o organismo é capaz de recalcar as emoções e conflitos por tensões musculares e por uma contração crônica do diafragma.

O corpo encapsula emoções. A energia emocional é escondida nas profundezas. Porém esta encapsulação de conflitos e emoções pode cessar e as lembranças, os afetos e os movimentos reprimidos podem emergir das profundezas do corpo.

Isso possibilita um maior acesso ao material interno que está escondido e protegido debaixo das couraças. Saímos da camada exterior para a camada interior. Saímos de uma esfera predominantemente racional para deixar a emoção mais presente. E essa emoção presente mostra as necessidades reais e não idealizadas. Saímos das exigências externas para olhar para as necessidades internas e reais.

Foi feito um trabalho de amizade com a resistência , que tem como base, por um lado, não ceder à resistência e não compactuar com ela, mas também não tentar removê-la de uma forma que exceda a capacidade de assimilação do paciente.

Quando trabalhamos as couraças (tensões) através da respiração e do relaxamento, de forma suave, estamos fazendo amizade com a resistência. Quando não há um ataque, também não é preciso se proteger e pode se baixar a guarda.

Dessa forma, amplia-se a possibilidade de contato com aspectos da Personalidade Primária (a essência - assunto abordado no artigo anterior) e minimiza a atuação da  Personalidade Secundária – que é a parte mais neurótica e dependente dos outros para obter satisfação e gratificação. Ou seja, entra-se em contato com as suas necessidades reais.

Presenteie você mesmo com experiências que te alimentem profundamente


Procure perceber o que foi que você jogou fora com o ar velho, que imagens vieram à sua mente, que sensação veio, que pensamentos. Tudo isso te dá noção do que está te sobrecarregando, do que está tirando suas forças, do que tem sido demais para você.

Já aquilo que veio acompanhando o ar novo que entrou, a sensação, a imagem, os pensamentos que o acompanharam te clareiam sobre suas necessidades. Assim como a cor que você escolheu.  Qual foi? O que essa cor te traz? Tranquilidade? Energia? É disso que você está precisando.

Depois de aprofundarmos o contato com a sua essência, veio o convite para a SUA VIAGEM. Sim, o seu lugar – um lugar de acolhimento para todas as suas necessidades. Sem julgamento, nem perguntas, nem racionalização. Apenas de deixar vir tudo aquilo que pudesse te aconchegar nesse momento.

Esse exercício simula o setting terapêutico da Biodinâmica – que é um setting tranquilo, sem imposições, não invasivo, não diretivo, focado nas necessidades do paciente e em dar suporte para que o conteúdo que está escondido nas profundezas do ser possa emergir. Também é um suporte para que a Personalidade Primária possa aparecer.

Olhe atentamente para o lugar que você escolheu: o que tinha lá? Que sensação ele te trouxe? Como escolheu passar seu tempo lá? Tudo isso nos dá dicas importantes daquilo que você mais está precisando.

E dicas práticas. Escolheu dançar? Escolheu nadar? Olhar a lua? Ficar olhando do alto de uma montanha? Escolheu um cantinho já conhecido que te faz bem? Fica claro para você o quanto está precisando das experiências que pode ter nesse lugar? Você ficou livre para escolhê-las como quisesse e elas vieram da sua necessidade interna.

E o que você escolheu trazer na mochila? Isso então é algo bem importante, pois em meio a tantas coisas foi o que você quis trazer para cá.

Agora o grande desafio é olhar para a sua realidade e ver como e onde você pode experimentar essas sensações.

Pode ser que seja difícil de uma maneira completa e perfeita como na sua imaginação, com tudo junto. Mas eu tenho certeza que se olhar com cuidado e atenção saberá  traduzir cada uma delas e perceber como aproveitar essas informações para construir uma perspectiva mais humana e real para o seu novo ano.

Leveza, aconchego, relaxamento, descontração, desafios, superação, afeto – tudo isso eu já vi aparecer em algumas viagens que acompanhei e basta um olhar mais apurado e um senso de comprometimento, que é perfeitamente possível descobrir formas de trazer essas experiências para a sua realidade.

E, se você for gentil consigo e se permitir, ao invés de criar uma lista de comprometimento com o mundo, criar uma lista de comprometimento consigo mesmo e colocar suas necessidades mais reais, que podem ser as mais simples, você pode ter uma boa surpresa.

Afinal, uma pessoa com suas necessidades supridas fica cheia de energia e disposição para superar os desafios, abraçar novos projetos, fica segura para realizar e pode ousar mais, ser mais criativa para solucionar os possíveis problemas. Invista no seu núcleo saudável.

Neste novo ano, se dê de presente experiências que te alimentem profundamente e, provavelmente, no final dele você nem vai se lembrar do chicote usado para cobrar o que não foi feito.

Um feliz novo ano para você.

Autor Luciana Calazans

Luciana Calazans

@bemviveredesenvolver

Luciana Calazans quer compartilhar com você essa abordagem apaixonante que integra corpo e emoção e mostrar que é possível, sim, buscar e criar formas mais eficazes de ser e estar no mundo a partir da própria essência. Encantada pela capacidade humana de transformação e pela sua força vital, acredita no desenvolvimento do potencial latente no indivíduo ou grupo, pessoal ou profissional - no Desenvolvimento de Pessoas. É Psicóloga (CRP 06/85520), Psicoterapeuta Biodinâmica e Coach de Desenvolvimento de Mulheres.

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