Avaliação Psicológica não é bicho de 7 cabeças

Avaliação é um processo que exige seriedade, ética e senso crítico. O olhar para o contexto e o conhecimento das ferramentas que podem ser utilizadas faz toda diferença. E, eu não vou mentir, é um processo que exige muita cautela.

Mas, não é impossível e vou te mostrar que é mais fácil que você imagina.

Pra começar vamos aprender que Avaliação Psicológica é um processo, ou seja, algo dinâmico. Refere-se ao conjunto de técnicas e ferramentas utilizadas para ajudar o Psicólogo a conhecer seu paciente ou cliente e, com isso, auxiliar nas tomadas de decisão sobre estes.

Sendo que esta decisão pode estar contextualizada em qualquer prática do profissional. Este é um trabalho especializado da Psicologia, é um processo científico e de conhecimento do outro.

Achou vagamente familiar?

Talvez você esteja utilizando de parte do processo de Avaliação Psicológica e ainda não se deu conta!

Mas, como processo científico, há necessidade de seguir algumas etapas e vamos conversar sobre cada uma delas agora.

As 7 Etapas

  1. Objetivo

Toda Avaliação Psicológica tem que ter um objetivo previamente definido e claro. Parece bobo a gente falar isso, mas a questão é que muitos profissionais caem no erro de utilizar as ferramentas e “ver o que elas vão dar” para depois estabelecer que direção seguir.

Mas, não são as ferramentas que escolhem o objetivo, e sim o objetivo que escolhe as ferramentas. Afinal, nós temos milhares de ferramentas e formas de utilizá-las e o como fazer isso vai depender do seu objetivo.

Na prática: exemplos de objetivos

  • Constatar que a pessoa está apta para trabalhar em altura;
  • Constatar que a pessoa está apta a fazer cirurgia bariátrica;
  • Constatar que seu paciente/cliente sofre de ansiedade;
  • Constatar que a dificuldade de aprendizado tem fatores cognitivos.

Percebe que todos os objetivos são hipóteses? Aí a cientificidade!

  1. Escolha das Ferramentas

E, se você acha que só existe teste, você não sabe de nada inocente! rs

Já vou soltar o spoiler que aqui no canal eu vou falar de cada um destas ferramentas com pormenores, para não ter dúvidas. As ferramentas que temos são: entrevista, observação, dinâmicas de grupo, observação lúdica, provas situacionais, testes (<3) e outras.

O que é importante percebermos agora é que as ferramentas são vastas, são dinâmicas e englobam várias demandas.

  1. AplicAção:

Momento de aplicar, hora da ação!

Cada ferramenta utilizada vai ter características especiais de aplicação, e é preciso atenção especial. Em uma entrevista, por exemplo, é necessário estabelecer se vai ser estruturada ou semi-estruturada, se será realizada individualmente ou em grupo, e ainda, se será no início ou no final da aplicação de outra ferramenta.

A aplicação de testes, por exemplo, requer características especiais de ambiente, instrumentos e condições do examinando que devem ser levadas em consideração.

Então, atenção nas condições que sua ferramenta exige.

Em conjunto, é nesta etapa que outras demandas podem surgir para que sejam agregadas ao objetivo ou seu objetivo será mudado tendo que ser refeito o processo.

Na prática:  Você inicia um processo de Avaliação Psicológica com a hipótese que seu paciente ou cliente tem dificuldade escolar por motivos cognitivos. Você escolhe a entrevista e observação lúdica como ferramentas para tal e, no momento da aplicação você constata que existe a possibilidade desta dificuldade estar ligada à figura da professora conectada a mãe.

Percebe como agora o objetivo mudou? Que talvez você tenha que inserir novas ferramentas?

E no caso, seria este o momento de rever o objetivo e rever as ferramentas para a realização de tal. Não digo que é refazer a Avaliação Psicológica, porque o que você já levantou de informações no processo utilizado, seria mais um “recalculando rota”.

  1. Correção:

Não é a etapa mais querida do mundo, principalmente quando as ferramentas escolhidas forem testes com uso de muitos números, mas com certeza é a etapa de enquadramento das informações.

Não é só corrigir de forma cuidadosa, mas trazer a tona todas as informações constatadas.

  1. Análise

Momento de colocar todo seu conhecimento de Psicologia à tona, juntar com as informações coletadas e analisar cuidadosamente com luz não só na hipótese levantada, mas com a possibilidade de novas hipóteses. É aquele momento de montar o quebra-cabeça.

  1. Desenvolvimento

Você já chegou as suas conclusões sobre o que foi levantado, mas, o que fazer com essas informações? É o momento de construir, a partir de tudo que foi constatado, quais serão os próximos passos para a qualidade de vida e bem-estar do avaliando.

Na prática: Voltamos ao exemplo da criança com problemas escolares, e, dentro deste processo que foi reavaliado e utilizado outras ferramentas, chegamos à conclusão que realmente esta criança tem dificuldades escolares porque associa o papel da professora com o de mãe.

Com essa constatação em mãos, quais técnicas utilizaremos para fazer esta dissociação e aumentar seu desempenho escolar?

Este é o momento que vamos planejar um possível prognóstico.  Isto de acordo com sua abordagem, área de trabalho e limites profissionais.

  1. Devolutiva

Não é só devolver o que foi apresentado e constatado, mas apresentar também sua proposta de desenvolvimento para tal.

O formato como acontece esta devolução, que pode ser escrita ou verbal, depende do contexto inserido e a demanda que foi apresentada.

Na prática: No atendimento infantil que foi exemplificado, de acordo com abordagem e área de atuação, descobrimos que seria interessante fazer essa devolução em conjunto com a família. Até mesmo por se tratar de uma criança.

Se, por exemplo, foi algo realizado em grupoterapia, é interessante que a devolutiva seja realizada para todo o grupo. Mas, se foi algo realizado com a demanda de constatar se a pessoa está apta ou não a trabalhar em altura, um laudo psicológico por escrito já seria suficiente.

Um ponto de atenção é que, de acordo com as regras que regem o nosso trabalho, é necessário que independente como seja realizada a devolutiva, também deve ser confeccionado um relatório com a descrição de tudo que foi feito.

É mais simples do que parece! 


Pronto! Realizamos o processo de Avaliação Psicológica de forma indolor e sem ter que lutar com um bicho de 7 cabeças! Muitos profissionais já realizam uma dinâmica muito similar só que sem se ater para as especificações de etapas que dá o caráter cientifico.

Mas agora eu quero saber de vocês, qual das etapas das Avaliações Psicológicas mencionadas aí em cima você achou mais difícil e por quê? O que você acredita que pode ser um bloqueio para a realização deste processo?

Vamos conversar!

Autor Tássia Garcia

Tássia Garcia

@tassiagarcia

Eu sou Tássia Garcia, psicóloga por formação e empreendedora por vocação. Aprendi estudando, errando e praticando que ser Psicóloga é muito mais que eu aprendi na graduação. Atualmente utilizo meus conhecimentos em avaliação psicológica, inovação profissional e a experiência como coach e consultora para auxiliar outros profissionais a se posicionarem no mercado, construir estratégias de marketing e terem maior reconhecimento.

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